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A um mês das eleições catalãs, empate entre independentistas e eleitores pró Espanha unida

Pesquisa da Metroscopia revela que representantes dos dois blocos teriam 46% cada um. Há 23% de eleitores indecisos, e PP, partido de Mariano Rajoy, perde força

Ines Arrimadas, líder do Ciudadanos na Catalunha
Ines Arrimadas, líder do Ciudadanos na Catalunha AFP

Após o furacão que desestabilizou a Espanha com um referendo ilegal e um pedido unilateral de independência da Catalunha, a região continua dividida ao meio. A menos de um mês da eleições regiões, há um claro empate entre a população que deseja criar um novo país e outra que espera ver a tensão superada com todos os espanhois unidos, segundo levantamento do insituto Metroscopia para o EL PAÍS. Os catalães encaram no próximo dia 21 de dezembro uma nova eleição para eleger seus representantes do Parlament (Parlamento catalão), depois que o presidente do Governo espanhol, Mariano Rajoy, anunciou, no dia 27 de outubro, a dissolução do parlamento atual e a saída de Carles Puigdemont da presidência do Governo da Catalunha. Após a intervenção do Executivo no Governo regional, as pesquisas apontam para um empate entre o bloco independentista (que reúne representantes dos partidos Junts per Catalunya, ERC e CUP) e o constitucionalista (Ciudadanos, PSC e PP), que defende a permanência da região na Espanha. Ambos obteriam 46% de intenções de voto se as eleições fossem hoje, segundo o levantamento.

Sondeo de Metroscopia pulsa en la foto
GRÁFICO: Sondagem sobre a situação política em Catalunha

A eleição autônoma catalã foi convocada depois da declaração de independência da região feita pelo ex-presidente destituído e com uma ordem de prisão de Puigdemont – está atualmente na Bélgica e deve ser extraditado. Depois de meses de instabilidade política, a pesquisa surpreende pelo bom resultado do bloco constitucionalista que, em 2015, não conseguiu atingir sequer 40% dos votos. Naquele ano, o independentismo atingiu 47,7%, e os três partidos claramente constitucionalistas somaram 39,1% (embora o não à independência tenha superado então os 50% ao integrar os membros de Catalunya en Comú, o partido da prefeita de Barcelona, Ada Colau). Desta vez, o secessionismo poderia perder a maioria absoluta por uma cadeira.

A pesquisa foi realizada entre os dias 20 e 22 deste mês, quando já estava claro que haverá três listas independentistas e havia sido descartada uma candidatura unitária parecida com a de Junts pel Sí de 2015. A pesquisa aponta uma participação de cerca de 80%, a mais alta em eleições autônomas catalãs, e registra 23% de indecisos, a maioria mulheres de mais de 65 anos e residentes na província de Barcelona.

O levantamento do Metroscopia prevê que o independentismo conseguiria 67 vagas e ficaria a uma da maioria absoluta, frente a 72 que tinha na Câmara anterior. O ERC seria o partido mais votado – com 26,5% e 39 deputados – enquanto o Junts per Catalunya (a marca eleitoral do PDeCAT) obteria 13,6% e 21 cadeiras. A CUP teria sete parlamentares e 5,9% dos votos. Se confirmado esse cenário não seria possível que assumisse um presidente independentista, a não ser que contasse com o apoio de Catalunya en Comú, que obteria oito deputados, três a menos do que os que tinha Catalunya sí que es Pot, mas suficientes para alcançar a maioria absoluta. Previamente será preciso esclarecer se os ex-conselheiros que estão na prisão poderão ir votar após tomar posse e saber o que farão os que estão em Bruxelas, com Carles Puigdemont à frente, caso não possam delegar seu voto.

Ciudadanos é a formação que cresce mais: ele se consolidaria como a principal força da oposição, com 25,3% dos votos e 35 deputados. Desse modo, Inés Arrimadas capitalizaria o voto contrário à independência em detrimento do PP, que ficaria como a última das sete formações do Parlament. A lista encabeçada por Xavier García Albiol conseguiria 5,8% dos votos e seis deputados, frente aos 11 de 2015.

O PSC também se beneficiaria da maior participação. A lista encabeçada por Miquel Iceta pousou em 2015 com 16 deputados e agora poderia obter 19 e 14,9% dos votos, números muito semelhantes aos de 2012, quando os socialistas catalães defendiam a consulta legal e por acordo. O aumento da votação se explicaria também pelo apoio que mostraram à candidatura socialista os líderes da extinta Unió, como Josep Antoni Duran Lleida.

Junqueras é o líder mais bem avaliado

O ex-vice-presidente da Generalitat (Governo catalão) Oriol Junqueras é o líder mais apreciado pelos catalães, que lhe dão 46% de aprovação, acima dos 43% obtidos por Carles Puigdemont e dos 42% de Marta Rovira, a secretária geral da Esquerra Republicana. O líder do PSC, Miquel Iceta, e o cabeça de lista do En Comú Podem, Xavier Domènech, empatam com 36%, seguidos por Inés Arrimadas (29%), pelo candidato do PP, Xavier García Albiol (19%), e por Carles Riera, o presidenciável da CUP, com 14%. Curiosamente, os eleitores da formação anticapitalista aprovam com 96% Junqueras e Rovira, enquanto seu candidato só consegue o apoio de 39% de seus eleitores.

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